sábado, 8 de dezembro de 2012
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
JOELITO X CARECA
A temporada 2012 esta chegando ao fim e apesar dos mesmos erros (tudo bem, não erraram as contas, mas os erros de julgamento foram inúmeros e o que falar do fiasco do dia grande de Fiji?), de diversas caras novas e bem menos ondas que em 2011 os mesmos personagens chegam ao final com chances de levar o caneco.
O atual campeão mundial e seu vice são os principais concorrentes ao caneco do ano da ASP. Mick Fanning, décimo primeiro ano passado, mas com dois cinturões do mundo na conta, ainda tem chances, embora as considere remotas.
Fazem exatamente 10 anos do primeiro vice campeonato mundial de Joel Parkinson. Naquela temporada Parko começou liderando, mas no decorrer do ano a brincadeira ficou mesmo entre Andy Irons e Luke Egan, acabou com o vice pelo tropeço deste segundo, não obstante sua segunda vitória no ano no penúltimo evento da temporada em Sunset.
Em 2004 novamente o ozzie ficou com o vice caneco, desta vez perdeu a chance no Brasil ao ser derrotado pelo wild card Tânio Barreto. Neste ano ele novamente venceu 2 etapas, Bells e Trestles.
2009, em minha opinião, era para ter sido o ano de Parko. Venceu as duas primeiras etapas do ano de forma incontestavel. Deu impressão que finalizaria a fatura após a 3ª vitória do ano, em J Bay, mas algo aconteceu e ao mesmo tempo em que diminuiu o ritmo, Fanning subiu de produção de forma impressionante. Perdeu a chance do título ao ser derrotado pelo wild card Gavin Gillete em Pipe.
E em 2011, ano do último vice do "azarado" australiano se deu mais pelo incrível final de temporada do que por uma disputa real do título, mas ao menos venceu 1 etapa no ano, Bells.
Chega liderando o mundial num ano atípico de sua carreira no tour, sem vitória alguma, mantendo-se na ponta do ranking pela regularidade. Chegou a declarar-se desconfortável nesta posição de liderança, a qual, aliás, não lhe dá grandes vantagens contra seu adversário direto.
Esse pode ser o ano do Joelito, mas acho que ele vai pagar o preço no final pela ausência de uma vitória e por karmas passados...
O adversário direto do australiano rei dos vices é ninguém menos que o maior vencedor da história do esporte.
Como não podia ser diferente nesses vinte e poucos anos de mundial, o careca já passou por situações similares, ou seja, chegar ao Hawaii atrás no ranking e sair com o título
Em 95, KS chegou ao Hawaii em terceiro no ranking atrás de Garcia (1º) e Machado (2º), contou com o nervosismo do primeiro que perdeu prematuramente para o wild card (Occy, com forma física invejável, diga-se) e do segundo que liberou a prioridade na semi final decisiva com o mais famoso hang five da história do surf (veja video).
Liberar a prioridade para o sanguinolento nunca é bom, JJ ainda não tem seu caneco em seu próprio pico por um vacilo desses, embora não ache que aquela perda de prioridade de Machado tenha decidido aquela bateria...KS estava em dias de KS. Voltando a 95, KS ainda precisava ganhar o campeonato e o fez, numa final disputada contra Occy.
Em 98 novamente KS chegou ao Hawaii em terceiro, desta vez atrás dos surpreendentes Michael Campbell e Daniel Wills. Na real só o primeiro demonstrava algum brilho suficiente para um eventual título já que ficou evidente durante o ano que o gás de Daniel já não era o mesmo daquele apresentado durante a perna Japonesa do mundial, quando ele venceu 2 etapas seguidas.
Após a etapa brasileira (vencida por Peterson Rosa em cima de Campbell na final) a diferença entre KS e o líder era de pouco mais de 200 pontos e Slater fez sua parte chegando até as semis enquanto os então jovens ozzies pereceram perante a fúria de Banzai.
Em 2003 o careca chegou na frente do ranking e perdeu e só estou citando este ano porque a última bateria daquele ano decidiu o título, algo que pode se repetir este ano, caso Joel e KS cheguem a final e também porque naquela bateria final de 2003 Parko e Slater tiveram um "enrosco" que deve estar entalado até hoje na garganta do Sanguinolento.
Na época foi utilizada baterias de 4 atletas o que permitiu (infelizmente) a influencia de outros atletas na disputa final entre KS e Andy, e foi justamente Parko quem "atrapalhou" KS numa onda que poderia ser decisiva, e poderia ter mudado toda a história daquela final (veja mais: http://www.surfingmagazine.com/news/121903_pipe/ ).
Joel chegou a declarar que "Kelly não deverá me perdoar nunca...". Eu não contaria com isso, ao contrário, estaria até me preparando para uma vingança, saboreada com requintes de crueldade, especialidade do Sanguinolento.
O destino é engraçado. Penso que essa derrota de 2003 era exatamente o que KS precisava pra se tornar o monstro que é hoje.
Talvez para superar a terceira geração de competidores Slater precisava sentir o gosto da derrota, chorar as lágrimas que chorou e lamber suas feridas, como fez em 2004 para retornar em 2005 derrotando seu algoz de maneira definitiva.
É fato que Andy nunca mais foi o mesmo pós 2005. Após a fatídica bateria de 2003, KS se levantou para ser campeão em 2005/2006/2008/2010/2011, considerando que no século passado ele ganhou 6 (92/94/95/96/97/98) só falta um para repetir o feito neste novo milênio.
Vendo o passado e também a forma como as coisas se encaixaram para KS em 2012, especialmente na questão dos descartes dele e de Joel, acho que podemos concluir com relativa segurança que o favorito neste ano é KS e não o líder do ranking, Parko.
KS já perdeu em situação similar, como disse, em 2003, mas vejam bem, em 2012 o adversário é o Parko, não é o Andy...
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
BASTIDORES AGITADOS
O mundo do surf esta agitado neste fim de ano...uma bela batalha no campo esportivo a ser travada entre 3 dos melhores surfistas deste século (e do passado, no caso do interminável careca sanguinolento) e outras sendo travadas nos bastidores, algumas pela mídia e outra pela via judicial mesmo...
ABRASP NÃO FOGE À REGRA
Comecemos pela "briga" regional iniciada pela carta aberta do atleta Dunga Neto seguida do direito de resposta exercido pelo Diretor Executivo da Abrasp Marcelo Andrade, o primeiro falando da intransigência da entidade e do Conselho de Atletas, que mesmo num ano fraco de eventos teriam negado a entrada de 2 etapas no circuito por conta da regra que exige 30 dias de antecedência para sua confirmação.
Marcelo Andrade por sua vez sustenta que a regra de 30 dias de antecedência foi uma solicitação dos próprios atletas que necessitavam de mais tempo para agendar suas viagens, e que apesar de entender a posição do atleta acredita que se há um livro de regras o mesmo deve ser respeitado.
| Dunga Neto, profissional cearense expos com muita propriedade sua opinião. foto: www.revistasurfar.com.br |
Ambos tem argumentos coerentes e corretos, mas pessoalmente concordo com a opinião do atleta. Mesmo nas regras mais rígidas há exceções e meios para criar exceções, especialmente diante de situações de necessidade, exatamente como no caso do circuito nacional de 2012.
Não vejo grandes problemas em se alterar regras, desde que oficiosamente e com o aval de todos os envolvidos, com a devida publicidade para que aqueles que não concordarem possam exercer seu direito de ampla defesa e contraditório.
Me parece que o problema real ocorreu com uma etapa de menor expressão que seria realizada em Quissamã - RJ e que teve sua solicitação negada devido ao prazo. Provavelmente este pedido não foi analisado com a devida atenção ou, quem sabe, com a real análise de suas consequencias, como por exemplo o surgimento de um patrocinador para bancar uma etapa maior com o mesmo problema de prazo.
E foi exatamente o que aconteceu no Ceará com os organizadores entrando em contato com a ABRASP no dia 31/10 para a inclusão de uma etapa que seria realizada no feriado de 15/11. Como já havia uma negativa, de fato, não poderia haver 2 pesos e 2 medidas, embora um erro não justifique o outro, são 2 erros e ponto.
No futuro a ABRASP terá que pensar em alternativas para questões como essa, não só flexibilizando a regra, mas também quem as decide. Deve-se atentar para evolução tecnológica e aproveitar que praticamente 100% dos atletas ter algum tipo de conexão (facebook, twitter, etc) e quem sabe, promover assembleias on line com o máximo de atletas possível para que decisões deste tipo possam ser debatidas e decididas com mais velocidade e precisão.
PRIVATIZAÇÃO DA ASP
Ainda não se tem muita informação sobre como se dará o negócio muito menos sobre a empresa adquirente (ZoSea), mas já se sabe que um dos seus sócios é o agente do careca (Terry Hardy) e outro sócio é um ex-funcionário (tem hífen isso?) da quiksilver (Paul Speaker) e que o acordo prevê a completa cessão dos direitos da ASP.
Como bem lembrou mestre Adler em sua coluna na Hardcore de novembro/2012 (pág. 130), na década passada a ASP já chegou a anunciar acordos de 10 anos com IMG e TWI com cifras de 50 milhões de dinheiros americanos, e acabou não dando em nada. Segundo Renato Hickel os valores que a misteriosa ZoSea pretende aplicar gira em torno de 25 milhas mas não revela o prazo desta aplicação ou seja, pode ser muito como pode não ser porcaria nenhuma...
Enquanto não revelarem todo o negócio é difícil falar qualquer coisa sobre o assunto sem correr o risco de estar dizendo enormes besteiras mas historicamente negócios que começam de forma obscura terminam da mesma forma.
Particularmente acho arriscado a cessão total, ou a privatização total da ASP, creio que poderiam achar meios de manter o controle e apenas ceder parte do negócio, talvez até, a parte que interessa, como os direitos de imagens e cotas para realização de eventos. Deixar o tal do Hardy correr atrás de patrocínios, vender as etapas e promover os eventos enquanto a ASP fica com a organização do circuito, a criação das regras, treinamento e renovação de árbitros (urgente isso, hein?) e outras competências administrativas.
Espero sinceramente estar enganado, mas já imagino manchetes futuras como "Surfistas brigam para ter seu circuito de volta..." e passeatas com placas com dizeres "Devolvam o surf aos surfistas...". A ver.
CARECA SANGUINOLENTO NO PAU!
E esta rolando uma briga na justiça americaca sobre as marcas VSTR e Visitor. Uma bobagem a meu ver, mas conforme informação deste site/blog o jeito que o careca pronuncia VSTR parece Visitor e estaria infringindo o direito desta segunda marca.
O pior é que parece que já teve uma audiência e o sanguinolento andou pra ela, dizendo que esta se preparando full time para a disputa do título da ASP (o que é provavelmente verdade), mas aparentemente os representantes da marca ofendida querem dar um jeito de ele ter que comparecer perante a "corte" antes do fim do ano, o que pode coincidir com a data do Pipemasters.
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| O Careca pode tomar uma vaca pior que esta na justiça. Se liga Sangui! foto: www.aspworldtour.com |
KS não sai do Hawaii nem algemado antes do fim do Pipemasters. Sou capaz de apostar uma grana nisso...
NIKE SAI - HURLEY SE FORTALECE
Bom essa é para os gênios do marketing, da publicidade e da economia explicar. Porque uma marca gigante que já tem uma marca especificamente de surf desde 2002 ingressa agressivamente no mercado do esporte, concorrendo contra si mesma?
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| Será que o Scooby vai pra Hurley também? foto: pedroscoobysurfer.tumblr.com |
Deve haver uma explicação, ver se dava para ganhar ainda mais dinheiro como Nike e sumir com a Hurley, ou testar novas marcas (lembram da 6.0?), reafirmar a própria marca, enfim...deve haver algum jeito de explicar porque disso, mas pouco me importa se querem saber...fato é que a Hurley sai extremamente fortalecida dessa, ainda mais com o gradual enfraquecimento das marcas tradicionais (leia-se Billabong e Rip Curl).
A marca do velho Bob deverá ter a maior (e melhor?) equipe do CT 2013 (todos que eram Nike migraram automaticamente para Hurley). Resta saber se vai continuar bancando todos eles (dizem que sim), bem como os eventos que bancou em 2012. A Nike já pulou fora do US Open...
E isso tudo é apenas bastidores de um excelente final de Circuito Mundial que é papo para o próximo post.
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