Raoni Monteiro fez sua estreia no CT 2013 sendo mal julgado em sua primeira onda boa, ainda mais ao compararmos com a onda que Bede fez na sequência, menor e mais conservadoramente surfada. Raoni correu atrás, mas pecou na finalização, o que acaba sendo fatal neste nível de surf (afinal Bede não errou) e com o julgamento tendencioso. Taj também estava na bateria mas não se achou hora alguma, fez umas firulas legais, mas jamais ameaçou o posto de classificação.
Confesso que Adriano de Souza me preocupa. Quando se perde uma bateria desta forma, por pouquíssimo, numa virada improvável após uma liderança sólida desde o inicio, geralmente algo acontece no Cosmo que a bateria seguinte acaba se complicando. Travis teve um rabo danado, assumido pelo próprio na entrevista, de 2 ondas lisas e encaixadas na bancada virem exclusivamente pra ele! Surfou bem as duas, e mesmo achando as notas exageradas, achei a virada justa. Dusty Payne também estava nessa, mas cada vez mais me convenço que o lugar dele é no freesurf, acerta uns manobrões lindos para se enterrar completamente na manobra seguinte...vai entender... Mineiro pega Dane na próxima, o que só comprova a teoria do Cosmo que falei acima...
Willian Cardoso começou com o mesmo problema de Raoni, com a juizada levantando em demasia a bola do adversário, o que complica qualquer reação. Cardoso surfou bem, conseguindo até alguns scores decentes, mas, em minha opinião, pecou na escolha de ondas. Se desferisse suas famosas patadas em ondas melhores suas notas seriam ao menos 1 ponto superiores o que poderia complicar para Fanning. Zietz também estava nessa e como previsto sentiu o que é ser estreante na arena de leões que é o WCT.
Gabriel Medina mostrou ao vivo e a cores ontem para todo mundo ver o que é gana, vontade de vencer. Após um inicio morno, Tiago Pires (surfando muito) e Kieran Perrow arrancaram notas decentes e colocaram Medal em último e precisando de nota. No meio da bateria Gabriel sentiu algo na perna esquerda, saiu da água, correndo/mancando, entrou e esperou a boa, virando espetacularmente na última onda destruída do inicio ao fim! Roteiro de filme! O moleque é foda. Ainda não sei a gravidade da lesão, mas a impressão deixada, especialmente entre seus colegas de tour, repercutirá por muito tempo ainda...
Alejo entrou em seguida contra Kerr e Young. Como previsto, abotoou os dois com calma, escolhendo as boas e competindo muito bem, desfilando seu power surf para delírio de Matt Hoy e Jake Patterson na locução. Surf de borda, base lip, com rabetadas e aéreos, tudo executado com perfeição! Dos brasileiros foi quem melhor se apresentou ontem. Young surfou de maneira burocrática, chata até, e Kerr, esperou muito, errou muito e perdeu.
Filipe Toledo fez aquilo que dele se espera, surpreendeu, inovou e surfou à velocidade da luz. Só faltou a segunda boa e combinar com o Bourez um alivio na estréia. O tahitiano também fez o que dele se espera e extremamente em forma e com uma boa escolha de ondas, complicou a vida de Filipe, também como previsto, e o mesmo pode se falar de Owen. No fim, Bourez levou, com Owen e Filipe precisando de pouco para virar, cada um com seu 9 no bolso, é mole? Melhor bateria do dia, em minha opinião.
Entre os gringos destaque para a derrota de Joelito a vitória de KS, a falta de combatividade de Reynolds após um inicio brilhante, JJ, Owen, Fanning e, pasmem, Kolohe...
Muita coisa já aconteceu neste inicio de ano competitivo do surf mundial e o blog continua às moscas. Espero que me perdoem. O expediente da série "caiu na net" é o que tem salvado...rsrs.
A explicação tem pouco mais de 3 meses, uns 6/7 kg e uns 70 cm de altura. Uma pessoinha viciante que tem tomado todo e qualquer tempo livre deste blogueiro, mas vale muito a pena. Muito mesmo.
Dito isto, e na iminência da primeira etapa WCT do ano, vamos a uma breve retrospectiva dos principais acontecimentos deste inicio de ano, a qual pode dar alguns indicativos do que e de quem pode se destacar na Gold Coast no próximo dia 02 de março (noite de sexta dia 01/03 para nós aqui no Brasa).
VOLCOM PIPE
Pode-se dizer que a ASP começou o ano com o pé direito. O primeiro evento do ano rolou em Pipeline e pela terceira vez seguida foi vencida pelo fenômeno JJ Florence. Venceu, inclusive, com uma facilidade irritante, mesmo muitíssimo bem acompanhado na final com caras como os ex-finalistas do Pipemasters Cris Ward e Josh Kerr além do havaiano de Maui, Ola Oleogram, fregues de JJ desde Margareth River 2012.
Tirando os finalistas esse evento serviu para "testar" algumas promessas. Nat Young, por exemplo, disse que nunca havia competido no pico e logo na primeira onda arrancou um 10 unanime. Obviamente foi um treino e tanto para o CT do final do ano. Um treino que vários novatos do CT abriram mão...
Imagino que também tenha sido a primeira vez de Kristian Kimmerson com a lycra de competição na rainha do North Shore. Foi tão bem a ponto de arrancar elogios do careca sanguinolento, que estava se mordendo por ter perdido o prazo para inscrição e deu uma palhinha na locução, aliás, um salutar costume que outras estrelas do mundial tinham que aprender. Os patrocinadores e fãs agradecem...
Vários brasileiros competiram e REPRESENTARAM neste evento, que contou com ondas de verdade. Bino Lopes fez uma onda linda, entubando de pé, braços abertos e morte horrível com a onda fechando sinistramente no final. Mesmo não passando valeu a passagem. Jano Belo também não passou mas completou 2 "drops elevador" muito pesados. Sidney Guimarães fez a bateria da vida, com notas altas em tubos largos. Jeronimo Vargas tomou a vaca do campeonato, mantendo a fama de atirado dele e da família. Leandro Bastos, desceu as maiores para passar em primeiro no meio de 3 havaianos. Ricardo dos Santos, destaque da temporada em Pipe, não foi longe mas surfou bem, como sempre. Jesse Mendes e Wiggoly Dantas também venceram baterias no dia grande, com autoridade, sendo que o primeiro foi o melhor brazzo, parando nas quartas.
Vendo campeonatos como esse, não tenho como não lembrar que eventos em ondas de verdade, mesmo valendo menos grana (no caso um 5 estrelas) deviam valer mais pontos, uma porcentagem a mais pela qualidade da onda. Tal porcentagem devia ser aplicada apenas quando o mar fica realmente bom. Se tivesse sido disputado no Ehukai Beach Park não valeria... Já houve um tempo em que os eventos "Prime" no quesito ondas ganhavam um bônus de 10% na pontuação...era uma idéia boa, não sei porque não rola mais.
ISA/ASP CHINA
Praticamente junto com a etapa havaiana do QS rolaram as etapas da ISA e ASP na China. Confesso que pouco vi do evento, mas não erro ao afirmar que só deu Brasil. Michael Rodrigues no ISA e Caio Ibelli no QS 4 estrelas.
A iniciativa é válida, maior mercado consumidor do mundo, grana, bla, bla, bla, mas o fato é que pouco se promoveu no ano passado o fato da estréia de um pais do porte da China, com o potencial do lugar e tudo mais e menos ainda se fez neste ano.
A onda da competição já mostrou que é boa, com constância, mesmo nos dias merreca. Deveriam investir uma grana maior, fazer um 6 estrelas ou um Prime e bancar a ida de estrelas. Joel, KS, Fanning, Medal e Mineiro são caras NECESSÁRIOS para a promoção adequada de um evento inovador como este da China, ainda mais envolvendo ISA/ASP.
QS PORTO RICO Deste evento também vi poucas baterias. Tinha umas ondas, bem balançado, TK competindo e comentando. De brasileiro acho que só o Lucas Silveira. Vi a bateria em que ele perdeu. Mostrou preparo físico (belo trabalho desenvolvido pelo aprimoresurf), saindo pela praia para voltar ao pico. Quase virou na última, precisava de mais uma manobra. Um evento pouco aproveitado pelo pessoal aqui da terrinha. É proximo, apesar de meio caro, mas com 90% de chance de ter altas, fazer imagens e pagar a trip mesmo indo mal no evento. Acho que ao mesmo tempo em que temos muitos competidores sem apoio, temos muita gente com apoio mas não sabendo aproveita-lo.
WQS BURLEIGH HEADS e NEWCASTLE
Este em Burleigh Heads foi um evento "termômetro" para o CT, a onda é similar (há alguns km de distancia) e vários CTs participaram. Owen venceu, mas o melhor atleta da semana foi Alejo Muniz, aliás é justo dizer que o catarinense foi o melhor atleta da perna australiana até aqui.
Alejo perdeu para o campeão na semi, mas era o cara para vencer, levantou as sobrancelhas de todos que viram suas performances e deixou os companheiros de tour com uma pulga atrás da orelha.
2012 não serviu para avaliar a evolução de Alejo, nem de longe. Lesionado desde o inicio do ano, só se achou mesmo na Tríplice Coroa Havaiana (que lugar pra se achar, hein?) e desde então tem desfilado seu estilo e power para encanto de seus fãs.
Em Newcastle não foi diferente, perdeu novamente para o campeão, na final, após ter garantido mais um escalpo de Julian Wilson para sua coleção. Ganhar do companheiro de equipe, de virada, tem gosto especial.
Neste evento de Newcastle vale salientar a primeira aparição de Mineiro com o patrocínio novo da marca Cearense Pena. Escovou tudo que encontrou pela frente em duas fases, mas não achou muita coisa quando o campeonato foi para um point dentro de um porto, numa direita bem pesadinha, chegando até a rabear um colega e se colocando em interferência. O mesmo vale para Filipe Toledo, ou Hole Toledo como dizem os gringos, surfou mais rápido do que qualquer um até perder numa bateria atípica, onde até surfou bem, mas não pegou as maiores.
O campeão do mundo começou o ano exatamente da mesma forma que finalizou ano passado, vencendo. Joel esta em forma, não sei se faminto o suficiente, mas em forma, sem dúvida.
Bom, tirando pelo que vimos até agora, acho que pode-se afirmar que:
Joel Parkinson é favorito em Snapper, pelo fato de ser local e estar com a moral nas estrelas com a juizada.
Julian Wilson não chega a ser favorito, mas quer provar algo para o mundo...tomou uma escalpelada de Alejo na semi de Newcastle que ficará engasgada até o CT. Owen Wright será osso duro em 2013, como foi em 2011...vencer QS da Gold Coast foi só o inicio.
JJ e KS também acho que devem se destacar nesta primeira etapa. O primeiro pelo que fez no QS de Pipe, patrô novo e etc... e o segundo por ser um maldito careca sanguinolento...
Adriano de Souza, chega fortalecido na estreia do WCT 2013, pode ser pelo patrocínio novo, pelo nacionalismo da marca, ou por ser a principal estrela da equipe Pena, ou ainda por representar a nação Corinthiana (é assim que escreve isso?) no surf. Seja qual for o motivo, vemos Mineiro mais sólido que nunca em cima de sua prancha. Se nada mudar nas baterias anunciadas deve abotoar Travis e Dusty na segunda bateria do evento.
O mesmo digo para Alejo Muniz. Em forma, o catarinense torcedor e patrocinado do Santos esta em forma, com o psicológico que queria ter tido em 2012 e o surf no pé. Faz o que poucos brasileiros conseguiram até hoje. Conquista os gringos no estilo e na força. Fia tinha o estilo e Neco tinha a força, Alejo tem os dois. O catarinense pega o voador Kerr e o osso duro Young na oitava bateria da primeira fase (se nada mudar!).
Diria que Filipe Toledo também vai se destacar, mesmo sabendo que a vida de um novato no tour não é fácil, mas ele esta sob os holofotes, com certeza. Sua bateria de estréia no tour mostra bem o que falo quanto a novatos, Owen e Bourez...o melhor backside do mundo na atualidade e o surfista com mais power do circuito encaram a leveza e velocidade do local de Ubatuba. Surpreenderá apenas quem não o conhece se sair vencedor logo de cara...
Gabriel Medina, esta treinando sem dúvida, mas não o vi (alguém o viu?), salvo engano se mandou para a América Central...Medal pega Pires e Perrow na sétima do dia...tende a abotoar os dois. Miguel Pupo se machucou, será substituído por Willian Cardoso (que também esta com uma lesão no tornozelo, mas vai pelo amor à camisa) que pega Fanning e Zietz na quarta da primeira fase. Bateria para prestar a atenção. Raoni Monteiro esta tão na dureza que teve que apelar para o paitrocínio para chegar à primeira etapa na Austrália. Ele cai logo na primeira bateria do evento (se nada mudar) contra o campeão do ano passado, Taj e Bede Durbidge.
Que venha o Quik Pro 2013!
Primeira fase do Quiksilver Pro 2013
1 Taj Burrow (Aus), Bede Durbidge (Aus), Raoni Monteiro (Bra)
3 John John Florence (Haw), Kai Otton (Aus), Patrick Gudauskas (EUA)
4 Mick Fanning (Aus), Sebastian Zietz (Haw), Willian Cardoso (Bra)
5 Kelly Slater (EUA), Kolohe Andino (EUA) e atleta a ser definido
6 Joel Parkinson (Aus), Matt Wilkinson (Aus) e atleta a ser definido
7 Gabriel Medina (Bra), Kieren Perrow (Aus), Tiago Pires (Por)
8 Josh Kerr (Aus), Alejo Muniz (Bra), Nat Young (EUA)
9 Julian Wilson (Aus), Damien Hobgood (EUA), Adam Melling (Aus)
10 Owen Wright (Aus), Michel Bourez (Tah), Filipe Toledo (Bra)
11 Jeremy Flores (Fra), Adrian Buchan (Aus), Brett Simpson (EUA)
12 Jordy Smith (Afr), C.J. Hobgood (EUA), Glenn Hall (Irl)
P.S:
BRASILEIRO NORONHA
Tem-se que afirmar que a realização da etapa de abertura do Circuito Nacional de 2013 foi um golaço dos envolvidos.
Poucos esperavam uma ação e sucesso tão rápidos.
Até mesmo a transmissão, sempre um dos pontos fracos das etapas disputadas na Ilha, foi de uma qualidade nível WCT, com um locutor que parecia um Luciano do Valle do surf, empolgando sem falar abobrinhas.
Bruninho Santos larga na frente na luta pelo título nacional de 2013. foto: Fabriciano Jr.
Um free surfer profissional esta liderando o Circuito Brasileiro de Surf 2013. A etapa teve altas, como quase sempre, fechadeiras. Grande, difícil e tubular.
Hizu fez o impossível na semi contra David do Carmo e não se achou na final, assim como Bruno Santos, que teve mais sorte no finalzinho da bateria ao achar a onda salvadora. É a velha história de explodir antes da hora...
Para mim os melhores do evento foram Samuel Igo, que ficou na semi, perdendo para Bruno e Robson Santos, que ficou pelas quartas. Vale lembrar que muitos atletas estavam competindo no mundial e não competiram em Noronha, a exemplo do atual campeão nacional Messias Felix.
Resultado do Marands Surf Pro Noronha 2013 1 Bruno Santos (RJ)