terça-feira, 17 de março de 2015

CARAS QUE MERECIAM, MAS NUNCA CHEGARAM AO CT...

Essa é inspirada no já clássico Top Ranking do Canal Woohoo...e também para contra balançar o texto que fiz em 2011: Pregos que chegaram ao WCT.

A divisão do circuito mundial de surf, nos idos 1992, gerou uma certa crueldade com muitas promessas do esporte. Essa crueldade começou a se acentuar ainda mais a partir de 1994/1995, quando o circuito começou a procurar ondas melhores para a "1ª Divisão" e a manutenção de locais mediocres em épocas equivocadas para a "2ª Divisão".
Portanto, temos uma penca de caras que jamais conseguiu ultrapassar a barreira do QS, mesmo demonstrando talento e capacidade para se manter confortavelmente na arena do CT. Com certeza estou esquecendo uma renca de gente, mas do topo da cabeça me vem esses:

Binho Nunes - Binho chegou perto em 94, tanto que conseguiu vaga para o histórico Pipemasters de 1995, quando deu show e foi comparado pelo locutor do evento a T. Carroll, com seus drops atrasados diretamente para o canudo. Ousou em cair com pranchas menores do que o recomendado e acabou em nono. Neste ano de 94 fez duas finais seguidas do QS na perna brasileira, vencendo uma e perdendo outra, ambas contra Matt Hoy. Caso se classificasse neste ano poderia ter competido no evento de estreia de G Land em 95, por exemplo. Num exercício de ficção não é difícil imaginar o paulista indo bem nesta etapa, bem como na seguinte, nas perfeitas canhotas de Saint. Leu.






Marcelo Trekinho - Diferentemente de Binho, Trekinho nunca chegou perto da classificação. Não sei qual foi seu melhor ano no QS, lembro de uma final que perdeu pro Mineiro em 2008 e só. O que vem mais facilmente à memória são as atuações do Trekinho no filme Surf Adventures e principalmente sua atuação no Super Surf em Maresias nos idos de 2002, quando, num mar clássico, venceu o evento com direito a 3 notas 10 no mesmo dia! Penso que caso se classificasse para o CT neste mesmo ano de 2002, Marcelo poderia alcançar grandes resultados, ainda mais num ano que o CT contou com Pipe e Sunset, sem falar em J Bay, Trestles e as já tradicionais Teahupoo e Tavarua.


Ricardo dos Santos - Esse texto demorou para sair justamente por conta da morte do Ricardinho. Foi um mês de completa falta de inspiração e vontade de exigir do cérebro memórias para demonstrar o óbvio. Ricardo dos Santos caía como uma luva no CT. Bom de tubos, ondas pesadas, manobras aéreas e com cartas na manga tanto para direita quanto para a esquerda. O títulos nos trials mais difíceis do mundo no Tahiti são uma pequena demonstração do que o futuro poderia reservar para o catarinense. Ouso imaginar que seria campeão da Tríplice Coroa Havaiana por mais de uma vez, assim como Pipemasters.

http://canaloff.globo.com/programas/brazilian-storm/videos/3907361.html


Tiago Camarão - Dos aqui listados é um dos que (acho) tem mais chance de furar o bloqueio. Deu uma parada em 2014, por lesão aparentemente, mas continua com providencial apoio de seus patrocinadores e já esta na estrada do QS de novo. Camaras, ao meu ver, tem nas ondas havaianas seu diferencial. Excelente em tubos, e com tamanho e força suficientes para quando necessário, se impor na base da porrada. Salvo engano seu melhor ano foi 2011, em especial na etapa de Trestles, vencida por Miguel Pupo. Dos mais articulados, Tiago fez sucesso nas entrevistas, e creio, ganhou moral tanto na terrinha do tio sam, quanto com seus patrocinadores.



Bruno Santos - Esse é um dos mais fáceis de se constatar que faria imenso sucesso no CT. Até já venceu um evento sem ser da elite. Talvez ocorresse anos em que Bruninho ficasse na rabeira e dependesse de resultados para se manter, como num ano em que o CT não encaixe de rolar em boas condições. Mas no geral, é fácil imaginar alguns título do Pipemasters no bolso do niteroiense.

Jr Faria - Acho que tem o mesmo nível do Camarão, com a vantagem de ser articulado sem a necessidade de parecer engraçado. Profundo conhecedor do esporte, seria como um jovem Derek Hynd voltasse ao tour. Sonho mesmo seria se Jr não só se classificasse pro CT, mas que recebesse polpuda recompensa para cobrir o circuito enquanto participante. As melhores reportagens por quem não só entende como participa! Ballito 2011 mostrou um pouco do que ele seria capaz no CT.


Junior Faria / HAWAII '14 from BRUNO TESSARI on Vimeo.

Heitor Pereira - Go for it em estado bruto. Caso se classificasse para o CT seria sempre comparado a Kong, Peterson, Kieran entre outros desnaturados que passaram pelo Tour. Hoje em dia shaper, poderia entrar para a restrita galeria de pros que fazem as próprias bóias, como Mark Richards, Simon Anderson e Glyndon Ringrose.





Apenas para concluir a lista: Marco Giogi (não é brasileiro, mas é, entende?), Pablo Paulino, Hizunome Bettero, Marcondes Rocha, João Guttemberg, entre muitos outros fariam bonito no CT.

quinta-feira, 5 de março de 2015

VEM, VAMOS EMBORA, QUE ESPERAR NÃO É SABER...

Já viram a prancha do Gabriel Medina? 
Parece a camisa do Botafogo, tamanha a quantidade de patrocínios, mas ao contrário da situação do mítico clube carioca, Gabriel esta com tantos patrocínios por estar em alta, na moda, "na crista da onda".
De qualquer sorte, prova, sem sombra de dúvidas que empresas de fora do esporte como OI, Guaraná Antártica e Mitsubishi, tem cotas ($) para patrocinar esportes "alternativos".
Certamente, por se tratar de empresas grandes e organizadas, uma bela parte dessa verba retornará à empresa através da Lei de Incentivo ao Desporto. Não duvide!
Confesso que preciso de um estudo bem mais aprofundado da Lei nº 11.438/2006 para não falar besteiras aqui, mas estou certo de que haverá retorno para estas empresas, não só no aspecto de visibilidade do atleta, como em pagamento à menor de impostos.
Dito isso, questiono: 

  • Porque tais empresas não apostam também no esporte que acabou de nos dar mais um campeão do mundo?
  • Porque apostar apenas na certeza de retorno? Naquilo que já esta pronto e rendendo frutos?
  • Porque não apostar também nos campeonatos/circuitos amadores, para fomentar futuros Medina? 
  • Porque não apostar também nos campeonatos/circuitos master, para fomentar a criação de ídolos e por consequência a paixão e crescimento do esporte?

Falta de visão é o que me vem à mente, já que dinheiro existe e leis de incentivo (isenção de impostos) existem.
Mas a falta de visão não é apenas dos empresários. É preciso que a classe se mobilize. Os profissionais, do surf, da organização de eventos, dos meios de comunicação especializados e fãs.
Todos tem parte da culpa, é preciso que se diga, é preciso se unir e se mobilizar para pedir mudanças dessa situação, seja em grupo ou através das associações existentes, ABRASP, CBS, etc.
Tais mudanças, infelizmente, só ocorrerão com modificações e criações de Leis e muita pressão política, mesmo porque, à exemplo de vários esportes olímpicos, o apoio não precisa vir apenas pela iniciativa privada. Nosso Governo também deve apoiar ($) o desenvolvimento do surf.
Mas, alguém vai esperar um momento melhor do que este para iniciar tais movimentos de mudanças?
Tomara que não.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

TOP 34 2015

Glen Hall - Surpresa! Ele foi suplente em 2014, quando falou cobras e lagartos da ASP por não receber o convite, já que tinha se machucado em 2013. A lei da compensação veio no ano seguinte, para azar de Alejo Muniz. Glen é bem competitivo, apesar do surf previsível. Vem para substituir Travis. Não deve se manter pelo CT, e terá mais um ano corrido pela frente se quiser estar nesta lista no ano que vem.





CJ Hobgood - Convite bem dado em minha opinião, já que as chances de CJ emplacar um resultado em Pipe são concretas. CJ é um ex campeão mundial que continua surfando muito além de parecer um grande caráter e um bom exemplo e imagem para o esporte. A idade tem enfraquecido seu surf - e se o mar não estiver tubular é uma presa relativamente fácil pra molecada. Deve ser um de seus últimos anos na elite, mas devemos ve-lo muitos e muitos anos seja como freesurfer ou se seguir as pretensões de seu irmão que andou declarando que pretende correr algumas etapas do Big Wave Tour.






Ricardo Christie - Salvo engano desde 2002, quando Maz Quinn fez parte da elite, não temos um cara da Nova Zelandia no CT. Ricardo eu vi naquele histórico evento Prime de Imbituba que o Medina venceu em 2011. Ele parou na semi mas junto com Medina foi o melhor atleta do evento que rolou em condições desafiadoras do inicio ao fim. Tem um belo estilo e sabe voar, mas cai muito da prancha. Esse é o ano de definição, se será um bom operário do tour por alguns anos ou se veremos sua primeira e única passagem pela elite.

Brett Simpson - Salvo pelo gongo mais uma vez. Será sempre assim Brett? Pelo visto sim, e com a conivência da juizada. Brett não é mais o mesmo. Antigamente, podíamos até defende-lo eventualmente, pela beleza no estilo e por voltar de aéreos com freqüência, como já ouvi o Sifu fazendo. Mas hoje em dia não há como defendermos o cara. Suas manobras estão saindo fora do tempo, geralmente antecipadas por um temor que não víamos antigamente (seria a paternidade?) e o estilo já foi melhor. Espero que este seja seu último ano, não acrescenta nada ao Tour, até para o QS o vejo como um cara ultrapassado. Aparentemente só consegue mesmo vencer o Medina...as vezes.





Jeremy Flores - Lesões. Essa é única explicação para a posição do ranking do francês. Acho que Jeremy ficaria melhor colocado ao menos umas 10 posição à frente na lista da WSL, mas os resultados e quem sabe a cabeça (quente) não tem ajudado. É muito veloz e compete bem, mas esta caindo muito em momentos decisivos. Ainda pode vencer uma etapa aqui e acola, mas o sonho do título mundial já esta distante para a ex-promessa européia. Se revoltou com Mineiro na primeira etapa de 2014. Talvez seu erro esteja justamente aí, campeão do mundo bonzinho só existe em conto de fadas...Trabalho para os Beven desenvolverem com o já não tão jovem Flores.





Dusty Payne - Retorno digno do havaiano. Outro que sofreu com lesões em passado recente, fez a melhor tríplice coroa da vida e só não a venceu porque a juizada não quis deixar o Medina ser pipemaster. Vamos ver se neste retorno a elite a promessa vira realidade. Penso que precisa ser um cara mais regular no sentido de fazer mais baterias espetaculares em sequência, já que eventualmente o cara destrói Fanning em snapper (2011) para depois perder para KS praticamente sem reação.

Keanu Asing - Novidade havaiana no CT. Baixinho a ponto das pranchas parecerem maiores do que o necessário, mas com um dos melhores ataques de costas para a onda do QS. Como bom havaiano deve se destacar em mares maiores, mas ainda terá que se provar em tubos, especialmente Fiji e Tahiti. Tem um ano parecido com o do Ricardo Cristhie pela frente, embora seja melhor que o Kiwi. Se eu fosse ele manteria minhas reservas para as melhores etapas do QS 2015.

Matt Wilkkinson - Raríssimo caso de surfar melhor de back do que de frontside. É com certeza credor de um jantar bancado pelo Medina, já que o ajudou seguidamente ao mostrar o que realmente sabe contra KS. Não imagino um ano muito melhor para Matt em 2015. Parece de gostar viver no limite, inclusive dos rankings.




OPERÁRIOS DO WSL from SURFOCRACIA on Vimeo.


Italo Ferreira - Bela novidade do Brasil no tour, embora achasse que mais um ano de QS seria uma boa para a revelação de Natal. Terá um ano difícil pela frente. Espero que aprenda com Jadson a variar mais as manobras e não tentar mostrar o quão bom realmente é de uma vez só. Em especial, aprender a utilizar certas manobras em momento chave da onda e da bateria. Cai relativamente pouco da prancha (pra quem flerta com o absurdo como ele) e aprender a hora de mandar aquele coice de backside emendado num três meia (patenteado pelo Marcondes Rocha) ou os trocentos aéreo que sabe fazer pra finalizar a onda em momentos chave, por exemplo, só, para evitar a síndrome de Jadson (one trick poney). Se conseguir isso, rapidamente cairá nas graças da juizada, além, obviamente, de evoluir em ondas de conseqüência e em tubos. Futuro incerto mas é promissor demais para imagina-lo longe da elite. Acho que veio para ficar. Falar inglês bem seria um bom inicio...

Adam Melling - De novo se salvou no Havaí. Penso que se assemelha ao Simpson. Agrega pouco ao show. Vai beliscar um resultado aqui e outro ali, vencer um figurão de vez em quando e voltar a ser o saco de pancadas habitual no resto do ano. Melling quase sempre é foda quando não vale nada...





Wiggoly Dantas - Ainda bem que chegou. A exemplo de caras como Trekinho, JOB e Binho Nunes Guigui sempre mostrou potencial maior pro CT do que pro QS, só faltava quebrar a barreira. Creio que se adaptará rapidamente. Apesar de todos esperarem grandes resultados nas esquerdas, já que é excelente tube rider e bem atirado, espero grandes performances nas direitas, prato cheio para seu backside ágil e estiloso, afinal, salvo engano ele é local de uma direita. Primeiro de muitos anos na elite...

Matt Banting - Rookie ozzie que mais parece nativo do Nordeste brasileiro. Surf leve, ágil e aéreo. Vai sofrer por ser estreante, mas compete bem e é bem esperto, deve ter vida longa no tour, mas esse ano é de provação. Será bom se garantir pelo QS e nos CTs de beach break, pois tende a ser devorado nos mares de responsa.

Jadson André - O potiguar esse ano voltou a surpreender pela atitude e gana em competir. Seus resultados na Europa foram inspiradores. Digo até que o resultado em Portugal no QS foi mais significativo que a final no CT de Hossegor. Mostrou uma continuidade na dominação do pico (Cascais), na base do bom surf e da competição inteligente. Tem Go For It maior que a maioria dos Tops e pode sempre surpreender, que o diga seu maior fregues, Jordy...

Fred P - Pra mim é do mesmo nível do Simpo, com a vantagem de ser havaiano. Faz número no CT embora reconheça que tem melhorado muito, especialmente no marketing pessoal. É eloquente nas entrevistas, não chega no nível de sua amigo Martinez, mas consegue ser polêmico quando pode, o que é bom pro circuito, e não chega a ser Bad Boy, o que é ótimo pro Circuito. Casou, teve filho(a) e acalmou, ordem natural das coisas, e exemplos para a foto da WSL o que é sempre bom pro esporte.





Sebastian Zietz - É um operário do circo e acho que sempre será, mas algo em Sebass me enche os olhos, seja na aparente vontade de fazer todas as manobras com estilo e força, seja no gosto pelas ondas nacionais, mesmo elas sendo uma m...(e são mesmo, fazer o que?). Quase caiu fora esse ano, mas usou bem a carta da manga que é competir em casa no final do ano. Caiu de pé em alguns eventos forçando os figurões a tirarem coelhos da cartola para vence-lo, o que é, primordialmente, a função dos operários.




  Miguel Pupo - Iniciou o ano com cara de quem terminaria entre os top 10, mas só voltou a repetir os resultados na Califa e França. Em etapas que tinha sua cara perdeu para quem menos se esperava, como a derrota para Crews no Tahiti. Tem no estilo e facilidade para voar como pontos fortes, e acho que é um dos poucos que sairiam ganhando ao "perder" parte da onda para fazer uma ou duas manobras a menos na onda, focando numa grande manobra de impacto. Em 2015 tem como desafio criar uma regularidade. 4 resultados decentes no ano é pouco para alguém do seu calibre. Além disso acho que Pupo precisava de um pouco de "malvadeza"...não precisa sair intimidando ninguém durante a bateria, mas sangue no olho em determinados momentos caem como uma bomba na cabeça do adversário. Gosto muito de comparar gerações e as coincidências que a história nos mostra. Enquanto Mineiro e Medina repetem uma dupla dinâmica no melhor estilo Teco e Fabinho, Pupo em comparação a Medina me lembra muito a relação de amizade que KS e Machado tinham (tem). Pupo é um estilista de primeira, jogado à arena de leões que é o WCT, tem se dado bem pela inteligência competitiva, mas acho que ser um Soul Surfer é um destino que Pupo não escapará...





Kai Otton - Foi bem nas etapas com mais onda. Acho que é um cara tão casca grossa que poderia seguir o circuito de ondas grandes juntamente com o CT. Como vários atletas tem um surf ultrapassado, mas cai pouco da prancha e tem moral com os adversários. Consegue arrancar notas altas quando precisa, sendo osso duro na maioria das ocasiões. Suas entrevistas costumam ser mais interessantes que a da maioria, para vcs verem que não precisa ser muito esperto para "causar" no Tour.

Filipe Toledo - O ex Filipinho esta ganhando força e tamanho. Ainda é um dos melhores aerialistas do circuito, e um dos melhores em ondas pequenas e sem power, mas esta ganhando força nas manobras a olhos vistos. É bom em tubos desde sempre, graças ao trabalho de base desenvolvido por Zé Paulo. Como disse no ano passado, Toledo será campeão do mundo, mas precisa aprender a colocar os adversários na corda urgentemente. Esse ano se notabilizou por sair logo com um notão e ficar o resto da bateria procurando a segunda nota, ou ficar a bateria toda procurando onda, achando um notão nos 5 minutos finais. Fica aquela tensão, tipo Corinthians, que vence muito, mas vence sofrido. É sempre um 1x0 ou 2x1, quando teria potencial para enfiar 5x0 com tranquilidade. Seria uma boa aprender com o Mineiro a se acalmar e parar de bater a prancha entre manobras em onda boa. Observemos a derrota dele para Adriano em Trestles. No desempate Mineiro levou, e acredito que os centésimos vieram do jeito de surfar uma onda boa, com mais calma e precisão.




FILIPE NO RIO from SURFOCRACIA on Vimeo.


Bede Durbidge - Acho que é guerreiro pra caramba. Depois que saiu da billa, ralou, foi top 5, venceu Pipe, mas sempre me pareceu ter mais trabalho que seus conterrâneos para aparecer e vencer. Brinco que é quase um brasileiro, já que parece que a juizada segura um pouco as notas dele. Tem uma base sólida, bom de tubos e apesar de ser meio duro nas manobras aéreas não é estranho às viradas em cima da hora com um deles. Dos bom exemplos pra molecada que a WSL devia explorar mais.





Adrian Buchan - Não venceu no ano, mas surpreendeu (ao menos em minha opinião) em Trestles, não só ao eliminar Medina, mas ao ficar a um palmo da final. (Bem) mais inteligente que a maioria, sem muitas firulas, mas marcando bem suas manobras e arcos, Adrian vai construindo uma bela carreira no Circuito. Se aproveitar melhor as etapas em casa pode chegar no fim do ano lutando por um lugar entre os top 10.





Julian Wilson - A Diva (ou Divinha, já que parece que Joel era Diva antes dessa Diva) teve um dos piores anos no circuito. Se salvou no final. Adicionando uma teoria da conspiração de minha criação (ou complexo de perseguição, como preferir), acho que Julian X Gabriel na final do Pipemasters foi envolvida na briga política entre ASP e locais do Hawaii, já que a controversa vitória do Ozzie tirou o título da Triplice Coroa de uma havaiano (Payne). Julian é um surfista completo, mas tem uma imagem meio negativa com a brasileirada justamente pelos diversos casos de vitórias duvidosas, e não só contra brazzos (vide Julian x Jordy Bells/14). Eu particularmente não gosto do modo que ele recepciona a vitória não merecida, tipo torcedor de futebol que sabe que só esta ali por virada de mesa, o que não impede de sair batendo no peito dizendo que é time grande, reivindicando uma vitória que nem sempre é merecida, enfim...é um grande surfista e num ano bom pode ser candidato ao título. A exemplo de Jordy, que chegou pra ser campeão, vê, se mordendo de inveja um moleque surgir do nada e levantar o caneco sob suas barbas...



DIVA NO RIO from SURFOCRACIA on Vimeo.



Nat Young - Vinha (muito) bem até Fiji. A derrota para Medina mexeu em algo no californiano, que não conseguiu nada além de 13º a partir dali. Como sua campanha até Fiji demonstra, tem lugar fácil entre os top 10, não estranhando se subir pra os 5 melhores. Falta regularidade. Bom competidor em qualquer condição ele é. Talvez se começar a ser tão letal de frente para onda quanto é de costas para elas....




Owen Wright - Teve um certo arrego em seu retorno ao circuito por não encarar os figurões no inicio do ano. De qualquer forma, baterias como a que fez em J Bay contra Gabriel demonstram que seu lugar é esse mesmo, entre os melhores. Penso, inclusive, que é dos Ozzies mais promissores para um futuro caneco do mundo, no nível de Julian. Em 2015 seu desafio será voltar a vencer.




Kolohe Andino - É impressão minha ou foi o Parsons e o Dino largarem um pouco o moleque sozinho pra ele desencantar? Ser uma promessa e sofrer as pressões da mídia desde cedo não deve ser fácil. Acho que ele faz um teatro meio desnecessário ao finalizar determinadas manobras, especialmente de costas pra onda, mas é inegavelmente um dos melhores aerealistas do circuito, chegando a arriscar grabs que poucos arriscam em baterias. Acho que jamais será campeão do mundo, mas é esperto o suficiente para ficar muitos anos entre os Top. Se tivesse iniciado o ano melhor, estaria entre os 10 melhores com facilidade. Em 2015, tem como Owen, o desafio de uma vitória, para comprovar a evolução. Quando se aposentar, usará seu vozeirão de radialista para transmitir as etapas para a WSL...




habemos tubos from SURFOCRACIA on Vimeo.



Josh Kerr - Acho que este não aproveita todo o talento que Deus lhe deu. Ficar entre os top 10 com aparente facilidade demonstra que um pouco de sangue no olho poderia levar Kerr a uma disputa mais elevada, senão pelos 5 melhores, pelo título. Se competir com mais gana e aprender a rasgar a onda com força pode chegar lá, quem sabe?...Mas não parece que isso mudaria muito sua vida.




Taj Burrow - Na água teve um ano como todos os outros, surfou muito, muitas vezes mais que todo mundo, mas quando chega a hora do "vamos ver" falta um viagra pra faze-lo ir mais adiante. Aqui no Rio fui testemunha ocular. Taj era pelos menos 10 km mais veloz que todo mundo e estava numa sintonia tal com o Postinho que o mar mudava quando o polaco entrava. Mas chegou na hora de ir pra final e vencer perdeu numa virada improvável (com aéreo) de Bourez. Uns meses antes, na Goldie, foi quem mais chegou perto de eliminar Medina, mas...É o cara em que a frase do Cap. Nascimento melhor se encaixa: "Jamais será...".





Adriano de Souza - Veterano respeitado aos 28 anos de idade. Incrível, mas é verdade. Mineiro nem 30 tem, mesmo parecendo que esta desde sempre no circuito. Na verdade esta a 9 anos na peleja, e pelo segundo ano consecutivo termina em oitavo lugar apos lutar pelo título no inicio do ano. Lhe falta um pouco de regularidade e um pouco mais de sorte. É até injusto "cobrar" regularidade de um cara que de 9 anos no circuito terminou 7 entre os 10 melhores do mundo e que no ano passado foi dos mais regulares, já que só perdeu de cara uma vez (Tahiti com a onda espirita do Hedge). Talvez por sabermos que Mineiro luta com o coração por um título mundial. Em minha opinião é um daqueles que sempre tem que ser lembrados como Candidatos ao Título. As coisas tem que encaixar para ele. Talvez no ano em que todos estejam esperando o "RISE DE JJ", a defesa do título do freak Medina e o que os figurões (KS, Mick e Parko) farão a respeito, seja o ano do "encaixe" do Mineiro. Duvide, Mineiro prefere vencer assim...



MINEIRO NO RIO from SURFOCRACIA on Vimeo.


Jordy Smith - Pode parecer que não, mas acho que a derrota na corrida ao título de 2010 ainda afeta a lacraia sul africana. Tirando 2013, após o vice de 2010 Jordy nunca mais foi top 5. Tem surf para ficar entre os 5 melhores sempre, mas seus resutlados o tem relegado a um patamar abaixo no ranking mundial. Ao menos não deixou de vencer eventos, o que acho importantíssimo, caso ele queira realmente investir no título mundial. É pior que a maioria no que concerne a regularidade e melhor que a maioria na água. A exemplo de Mineiro, quando todos esperam que o foco se concentre entre Medal, JJ, KS, Mick e Joel, um dark horse, como Jordy pode surgir campeão ao final do ano. Tem que ter como meta a regularidade e melhores resultados em esquerdas.




Joel Parkinson - Falando em derrota que doeu a alma, hein? No caso do Joel foi logo na primeira etapa. O nockout que levou do Medina em casa pode ter-lhe custado a temporada, marcada por mais uma final, quando perdeu pro Mick em J Bay ao resolver escolher a boa ao invés de tentar finalizar várias. Em ambas perdeu surfando muito. Escrevo isso porque não acredito que Joelito tenha se conformado com um título mundial no bolso. Creio, inclusive, que é candidatíssimo ao título de 2015, já que não é o foco principal da mídia e pode surfar sem a pressão dos demais concorrentes.




Michel Bourez - Podem me chamar de cruel, mas acho que Michel não era candidato ao título de 2014, ele estava candidato. Simplesmente não o considerava neste nível. Estou revendo meus conceitos e vendo a dedicação e principalmente a evolução do atleta, muito graças aos treinos com os Beven. Michel mostrou que não melhorou só nas manobras, mas na competição em si, como fez na bloqueada clássica sobre o KS em Fiji e ao analisar as mudanças do oceano em sua vitória no RJ. Sabe muito de tubos, por isso se a primeira etapa encanar de rolar em Kirra olho nele. Sua chance de título depende muito de um inicio de ano com grandes resultados.



TUBOS NO POSTINHO from SURFOCRACIA on Vimeo.


Kelly Slater - Posso estar enganado, mas acho que 2014 foi um ano de ressaca do careca. Após perder a corrida de 2013 para Fanning na última etapa, KS em 2014 correu atrás, atacou, mas me pareceu sempre ter um gás reservado, que por um motivo ou outro o careca acabou não usando. Continua espetacular, mas a idade esta chegando. Pode, logicamente erguer seu décimo segundo caneco, mas a peleja esta ficando cada vez mais séria, seja pela evolução dos adversários ou pela idade chegando e ele, mais do que ninguém sabe disso.




JJ Florence - É, em minha opinião, o melhor surfista do mundo hoje. Do Tahiti até a França foi o melhor competidor do mundo também. A bem da verdade poderia ter vencido, Tahiti, Trestles e França. Mas JJ ainda peca naquela velha história de explodir antes do tempo. De que adiantou aquelas 5 notas acima de 9 pontos na fase 4 de Trestles? Em 2015, 9 em 10 amantes do surf acham que pode ser o ano do russinho havaiano. Será? Medina, tenho certeza, acha que não!





Mick Fanning - O campeão mundial de 2013 foi vice em 2014. O Tricampeão do Mundo virá para tentar o Tetra. Podem escrever. Fanning é daqueles que faz a própria sorte. Pelo que mostrou em suas primeira apresentações no QS 2015, vem nos cascos para mais uma tentativa...Minha aposta para a primeira etapa.





Gabriel Medina - Com a violência dos tímidos Gabriel Medina derrubou a barreira do título mundial. Não há mais o que se falar da conquista, portanto, falemos da defesa. Espero que Gabriel tenha visto Blue Horizon, em especial aquela parte em que AI fala das dificuldades de chegar ao topo e das dificuldade de se manter no topo, muito maiores. Medina precisa, desde a primeira etapa mostrar que é campeão do mundo. Dar respostas, ainda durante as baterias, de campeão do mundo. Esculachar mesmo, desde o inicio. Como será o alvo de todos, precisa responder na base da porrada e mostrar que seu espirito competitivo esta apenas começando suas conquistas e que se alguém quiser o cinturão terá que arranca-lo do Medal. Vi com desconfiança que as rédeas da carreira do moleque estava não mão do grupo X (Eike), mas tenho que dar o braço a torcer que a coisa esta sendo bem conduzida, com o moleque aparecendo na mídia (especializada ou não) em momentos certos e com o conteúdo certo. Acho que JJ é seu "oposto", o arqui rival que fará história não só pelo próprio surf, mas pela disputa com o adversário, tipo o Senna não seria o mito que é, se não fosse o Prost e vice versa, Occy X Curren e assim vai e se tem uma coisa que Gabriel é bem superior ao JJ é no carisma, e acredite, ganhar o público numa disputa tão intensa e próxima dessas é sempre importante. 2015 é o inicio do Império Medina I.



MEDINA NO RIO from SURFOCRACIA on Vimeo.


E tenho dito!