Impossível escrever qualquer coisa sobre a performance de Gabriel Medina em Trestles esta semana sem se empolgar e muito. Veni, vini, vici. Venceu o Prime de Trestles com atuações soberbas em momento ótimo. Chega ao Brasil sob os holofotes e aparentemente, faminto.
Iniciemos pelos números, em 7 baterias disputadas, 20 notas acima de 8. Quer mais? Pois que tal 5 das 6 melhores ondas dos campeonato, e mais, 5 das 8 melhores médias do evento (valeu
Trombonera), é mole? Dominação total e absoluta do garoto dourado de Maresias. Não acredita em mim? Basta conferir, esta tudo lá, on demand: http://www.nikelowerspro.com/on-demand/
Repetindo o que já disse antes, o moleque é um fenômeno, não há outra palavra, um virtuoso do esporte que Deus colocou na família certa, na hora certa e na praia certa para desenvolver todas as habilidades que hoje espantam o mundo.
Medina foi o melhor em tudo em Trestles, com uma autoridade que os gringos nunca viram em um cara não americano ou não australiano. Gabriel hora alguma fez cara de amigo, de parceiro, nada disso, concentrado, compenetrado ao extremo, levou para Califa tudo aquilo que lhe fazia bem, família toda mesmo. Dormindo na hora certa, acordando na hora certa, se alimentando direito...by the book...diria.
Se ano passado o Brasil se fez presente no melhor estilo infantaria, com 6 entre os 8 finalistas desta mesma etapa do mundial, neste ano a tempestade foi de um homem só. E que tempestade!
Arrisco dizer que este ataque singular fez mais estragos nas mentes dos competidores, juízes, público, ASP, patrocinadores, enfim no mundo do surf (aquele que era do tamanho de uma ervilha até outro dia...) do que o ataque "de galera" do ano passado.
Nesta oportunidade ficou mais que evidente que temos um "real deal", bem a exemplo do video que a Nike fez com os caras falando das mudanças que Tom Curren promoveu no esporte Estadudinense, pois "finalmente eles tinham um real deal, alguém que era, de fato, um concorrente às vitórias e ao título". E isso mudou muita coisa por lá, devia mudar aqui também...se souberem aproveitar...
Os dois únicos caras que chegaram perto de Gabriel neste campeonato foram Dane Reynolds e Jota Jota. Jamais ousaria comparar o surf desses 3...mas é fácil constatar que o melhor competidor é o brasileiro.
Reynaldo já até pendurou as quilhas e João João é contumaz vítima de baterias mal competidas e pelo visto Gabe terá comemorado seu título mundial antes que o russo havaiano aprenda...
Uma das virtudes de Medina serve bem para exemplificar o que digo. Reparem como Gabriel da o sangue pela primeira onda e pela disputa de remada. Os locutores cansaram de falar da agressividade da remada do homem gol de Maresias. Alguns acham isso negativo. Eu não! Medina faz o mesmo com qualquer um, sanguinolento ou não. Glenn Hall por exemplo, me pareceu, ter perdido a cabeça com a remada agressiva apresentada pelo homem gol desde o primeiro segundo da final. Deu chilique e tudo rapaz!
Entrar na cabeça do adversário é uma das especialidades do careca, a ponto dos caras entrarem para a bateria praticamente derrotados. Medina fez isso em Trestles.
A cara de desconcerto do Dane Reynolds depois dos dois esculachos que levou na sua própria casa tinha que entrar para a retrospectiva 2012 da Globo no final do ano. Impagável! To falando do Dane, bem entendido? Tem noção?....
Não podemos esquecer as excelentes atuações de Heitor Alves e Tomas Hermes neste Prime.
O atual campeão nacional estava com um surf muito encaixado em Lowers, ocupando a onda direitinho, voando quando tinha que voar e descendo a porrada quando tinha que bater. O catarinense perdeu por detalhe para o sortudo do irlandês chiliquento ainda na repescagem pré oitavas, mas garantiu 1.300 pontos que podem ser importantes no final do ano.
Heitor também merecia mais. O Cearense esta com uma batida de backside de dar orgulho a nação. E demonstrou nas canhotas que esta em plena forma. Estou ansioso para vê-lo nas esquerdas Arpexianas. Perdeu, na mesma fase que Tomas, para Dane Reynolds numa bateria em que o americano não surfou tão bem. Faltou um pouco de sangue frio e uma série de ondas a mais na bateria para passar.
Entre os gringos, quem pode esquecer do Occy? 46 anos e algumas das melhores pancas de backside do campeonato. Fácil.
E que venha o Billabong WCT Rio!
RESULTADOS:
1 Gabriel Medina (Bra)
2 Glenn Hall (Irl)
3 John John Florence (Haw)
3 Adrian Buchan (Aus)
5 Dane Reynolds (EUA)
5 Tanner Gudauskas (EUA)
5 Jeremy Flores (Fra)
5 Patrick Gudauskas (EUA)
17 Tomas Hermes (Bra)
17 Heitor Alves (Bra)
25 Alejo Muniz (Bra)
37 Raoni Monteiro (Bra)
37 Jessé Mendes (Bra)
37 Jano Belo (Bra)
49 Miguel Pupo (Bra)
49 Hizunomê Bettero (Bra)
49 Jerônimo Vargas (Bra)
49 Wiggolly Dantas (Bra)
49 Willian Cardoso (Bra)
73 Alex Ribeiro (Bra)
73 Caio Ibelli (Bra)
73 Ricardo dos Santos (Bra)
73 Filipe Toledo (Bra)
resultados: waves







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