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sábado, 3 de dezembro de 2011

PRIME SUNSET - FINAL - FLORENCE VENCE

No automobilismo existem algumas corridas, ou grandes prêmios, especiais. São corridas tradicionais e vencer uma dessas significa muito mais do que o Premio em dinheiro, o troféu ou o momento de glória, vencer ali é entrar para a história do esporte.
As principais são GP de Mônaco, GP de Indianápolis e 24 Horas de Le Mans (G. Hill é o único a conseguir vencer as três), mas as 24 Horas de Daytona, 12 Horas de Spa, Suzuka e Nurburgring também tem seu prestigio em alta.

Florence vence em casa. foto: asp/cestari

No surf, temos as mesmas tradições e certos eventos são realmente especiais. Particularmente acho que o Pipemasters, o World Cup em Sunset e o Bells Easter Classic são a Tríplice Coroa sagrada do surf.
Vencer um evento desses é entrar para a história do Surf.

Deixar Sunset fora do circuito principal da ASP é uma coisa que nunca entendi direito. O Hawaii é o templo sagrado do esporte e merecia sediar mais que uma etapa do WT por ano.

O World Cup deste ano foi presenteado com dois swells com tamanho e proporcionou um show incrível para as centenas de pessoas que acompanhavam tudo ao vivo e para os milhares de internautas espalhados pelo globo.




No primeiro texto desta cobertura sobre o campeonato em Sunset, mencionei um video do site do evento, com imagens do passado e atuais, que mostravam que a abordagem dos atletas na onda de Sunset mudou pouco nos últimos 30 anos, que o volume da onda exigia um surf sem firulas, com o base lip imperando sobre o above de lip.

Realmente 90% das ondas surfadas foram assim, batidas e rasgadas ao invés de aéreos e suas variações. Nos 10% restantes vemos o que efetivamente foi mudando no decorrer dos anos nas competições em Sunset. As pranchas.




Lembro de uma coluna do Bocão, acho que foi em 92/93, em que ele descreve a experiência que teve como caddie de Teco Padaratz na bateria em que o catarinense garantiu o primeiro título mundial do WQS da história (seria bi em 99), e como pode surfar com ela depois da bateria. Não lembro o tamanho, mas era menor que o "normal" da época, mas tinha reações de uma merrequeira, com trocas de bordas rápidas e muito drive.




As pranchas hoje em dia estão menores ainda. O modelo mais usado no dia final deste World Cup foi a 6´10. Como resultado direto disso os caras de hoje estão fazendo tubos melhores do que antigamente. É um evolução e tanto numa onda tão dificil quanto Sunset. A mais dificil eu diria. A ponto do careca sanguinolento jamais ter conseguido uma vitória no lugar. Os tubos de Dusty, Ola e John mostram do que estou falando.

BRASILEIROS

O Brasil foi representado por Jessé Mendes e Raoni Monteiro no último dia do World Cup 2011.
Jessé caiu na primeira do dia, com o mar ainda acordando, o famoso morning sickness, o jovem paulista foi eliminado por Evan Valiere e Jordy Smith, deixando Jamie O para trás. Este último, inclusive, descolou o troféu vaca do campeonato neste heat ao praticar salto ornamental numa besta de 10 pés em cima da bancada do inside ball. O´Brien tinha uma boa onda no bolso, mas após esta vaca, ainda tomou uma série inteira na cabeça.




Raoni Monteiro defendia o título do campeonato e estava adorando as condições. Não é por acaso que em todas as vezes que Raoni apareceu na mídia em 2011 foi por ter se destacado em condições de mar em que poucos gostaria de surfar.
No campeonato mais assustador já realizado no Tahiti foi dele a primeira nota 10 do evento.
No campeonato mais assustador já realizado em Saquarema ele estava na final.
e quando o mar realmente subiu no Hawaii, novamente, Monteiro estava lá.

Começou fazendo uma dobradinha da O´Neill (que deixou de patrocinar este evento) com John Florence nas oitavas, eliminando Coleborn (quase se levanta no final) e Reynolds (voltou a competir como Dane).

Depois dominou amplamente as ações da terceira quarta de final, contra CJ, Gaskell e Centeio. Nesta bateria Raoni soube ler as mudanças do oceano. Na bateria anterior a dupla de Maui Ola Eleogram e Dusty Payne tinha dado um show de tubos, sempre na bancada do inside. Na bateria seguinte, os tubos já não abriam tanto e eram menos frequentes. Raoni buscou as maiores e na ausência de canudos procurou manobrar sempre no critico e com força. Já na primeira arrancou um 7,5 e ficou tranquilo para procurar outra boa, fechando a fatura com uma da série destruída com duas manobras fortes.




Na semi final, contra J. Florence, Gaskell e Ace, algo aconteceu já na primeira onda, quando um pequeno desiquilibrio custou toda uma sessão no inside e logo após, em sua melhor onda, o mesmo aconteceu na finalização. Erros como esses numa bateria deste nível são fatais.

De qualquer sorte esta sólida atuação de Raoni prova que a vitória do ano passado nada teve a ver com o tamanho das ondas, mas com a qualidade do atleta.

GRINGOS

John Florence é um fenômeno, compete nos eventos da Tríplice Coroa desde 13 anos, entuba como pouquíssimos e encara as ondas com um estilo que beira o descaso, mas sempre com objetividade e power.
Entrou por acaso no WT após a primeira rotação, graças a lesão de Yadin Nicoll, e desde que entrou tem arrancado boas notas e feito excelentes baterias.

Ter entrado ainda este ano pode ter ajudado John a não se tornar um Jamie O da vida. Que logo se cansou das merrecas wqesseanas e desistiu da busca a vaga no WT. Florence entrará em 2012 já sabendo uma coisa ou duas sobre o tour e se o pessoal da ASP continuar com a sorte de ondas durante eventos que teve em 2011, a chance de se coroar o quarto campeão mundial havaiano é grande. (terá que derrubar o careca sanguinolento, os queridinhos estabelecidos, Taj, Joel e Mick, além da Brazilian Storm, é claro).




Adam Melling tem que ser destacado. Não sou muito fã do surf dele. Parece um remendo de vários estilos e me parece um Bourez piorado, faz força demais para um surf de menos. Mas nesta tríplice coroa ele tem sido o cara. Duas finais consecutivas e sua vaga no WT 2012 garantida. Acho que ele sempre será um daqueles coadjuvantes. Que aproveite seus 15 minutos de fama.

Kekoa Bacalso e Olamana Oleogram foram dois dos caras mais atirados do evento. Ola chegou a semi, mas gastou tudo que tinha nas quartas, com um 10 unanime merecido. Kekoa nem estava no dia da final, mas perdeu no espirito go for it.

Por fim, vale destacar as atuações de backside de Nat Young, Ace Buchan, CJ Hobgood, Matt Wilko e Jessé Mendes.

Até o Pipemasters.

WORLD CUP 2011

1 - John Florence
2 - Michel Bourez
3 - Adam Melling
4 - Hank Gaskell
5 - Adrian Buchan
5 - Olamana Eleogram
7 - Raoni Monteiro
7 - Dusty Payne

sábado, 17 de setembro de 2011

PAPO DE BOTECO - TRANSMISSÕES DE SURF


Após duas etapas do WT com transmissões on line excelentes, encontrei alguns amigos num boteco. Cerveja vai, papo vem, ouvi algumas criticas às transmissões em português. Primeiro que sempre é uma transmissão preterida pelos organizadores, especialmente nos primeiros dias e, segundo, pela qualidade dos comunicadores escolhidos.

Não tenho como julga-los, até porque ouvi menos de 20 min de transmissão em português nos dois eventos (ouvi o Burle no Tahiti e uns 5 min. do WT NY) e estou apenas relatando as criticas que ouvi. Ficando claro também que a transmissão em ingles não é a melhor coisa do mundo, fala-se merda na lingua gringa com uma constancia incrivel.

Mas voltando ao boteco, digo ao assunto, é até uma coisa óbvia. Nem todo mundo nasceu para ser comunicador. Tem que ter um timbre de voz legal e uma grande espontaneidade. Coisa que nem todo mundo tem.
Nada contra Piu Pereira e Zé Paulo, mas de repente como comunicadores são grandes surfistas e ponto.
Não nasceram para narrar.

Eu assisti em inglês porque em português sempre rola os extremos, as vezes o cara falando manja muito, como o Piu, mas não consegue narrar, e as vezes é um malandro que tem voz bonita mas não sabe de nada e fica elogiando todo mundo a toda hora, coisa que me irrita profundamente.

Ou falta comunicatividade ou falta personalidade, apesar de achar o segundo caso muito pior.

Chamo de "estilo globo" de transmissão. Aquelas em que ninguém pode falar mal do evento, nem das ondas, nem da organização, nem dos juízes, nada.
Por exemplo nas transmissões de futebol vemos criticas e mais criticas.
Sabe qual a principal repercussão das criticas? A melhora do item ou assunto criticado ou, no mínimo, sua revisão.
Se não fossem as criticas aos estádios ainda estaríamos com pessoas caindo em buracos nas arquibancadas, se não fosse as criticas sequer haveria comissão de árbitros na cbf, ademais, os arbitros de futebol ficam numa berlinda muito maior que os juizes de surf que não julgam sozinhos e ainda tem replay para dar uma força...enfim...só para exemplificar.

E nessa conversa com meus amigos imaginamos quem seria uma equipe legal para fazer uma transmissão em portugues decente.

A melhor de 2011 até agora foi a dupla que narrou Fernando de Noronha, Adler e Sifu, que sofreram um pouco com a precariedade das instalações na ilha, devido as rígidas regras de conservação ambiental, imagino.

A formula que os gringos estão adotando são de duas ou 3 duplas de narradores, se revezando durante o dia e as vezes na locução. Nos eventos da Quick os caras revezam inclusive quem vai para areia entrevistar o vencedor, como o Sifu fazia em Noronha. Na Billabong fica um reporter fixo, geralmente o mala do GT.

Então no boteco, imaginamos a seguinte composição para apresentar o próximo WT RJ:

Adler e Sifu, Pedro Muller e Bocão, Marcelo Andrade e Bruno (ou seria Marcelo?) Bocaiuva, convidado especial Renato Rickel ou Zana Rickel.

No boteco, achamos melhor um reporter fixo do que o revezamento dos caras, surgindo como indicação unanime a Diana Both que fala bem inglês e tem umas sacadas ótimas para ficar entrevistando os vencedores.

Seria legal juntar essa galera para transmissão on line de um evento no Rio, claro, desde que seja móvel. Fixo, como já falei é burrice, ainda mais quando um dos patrocinadores é a prefeitura cujo maior interesse no evento é mostrar o melhor que o Rio tem a oferecer.

Tirando pela transmissão do Prime de Trestles o próximo WT será um show de transmissão. Vamos ver se o pessoal da uma força para o português e chama algum desses que citei...o Nuno Jonet, lenda viva da locução de surf, também seria legal.

Aproveitando o ensejo, vale mencionar a transmissão deste Petrobrás sobre as Ondas do Arpex. Não vi todos os dias on line porque fui ver ao vivo, mas as vezes que vi on line pude perceber que a transmissão esta muito legal, com replays, locutores experientes e acima de tudo, sem nenhuma frescura tecnologica mais cara, apenas boa vontade e bons profissionais para dar conta do recado. Que sirva de exemplo para alguns eventos maiores como o BSP e o Supersurf cujas transmissões estão entre as piores do ano.