terça-feira, 6 de dezembro de 2011

PARCERIA SURFOCRACIA E FALA TURISTA

A partir de agora publicaremos algumas dicas e links do site parceiro FalaTurista. Segue o primeiro texto deles, sugerindo surf trips para Florianópolis, Rio de Janeiro e Fortaleza. Nada mal, hein?

SURFANDO NO RIO DE JANEIRO, FLORIANÓPOLIS E FORTALEZA

Quem pratica o esporte sabe: surfar é sempre uma delícia, e mais ainda quando as praias são paradisíacas e maravilhosas. Altas ondas fazem acontecer, mas nada como uma bela composição para deixar o ambiente perfeito. Por isso, fizemos um apanhado de três cidades brasileiras que fazem da prática do surf uma experiência única: Rio de Janeiro, Florianópolis e Fortaleza.

No Rio de Janeiro, quem nunca surfou pode aprender em uma das muitas escolinhas de surf espalhadas pela orla carioca. Se já pegou a manha e quer se aventurar, os novos e velhos surfistas vão contar com várias opções de onda.
Esta onda fica no meio da Baía da Guanabara. Prova de que existem todos os tipos de onda no Rio de Janeiro, basta disposição. Marcelo Trekinho curtindo o juice carioca. foto: blogbigsurf.com

As melhores praias para surfar no estado carioca são o próprio Arpoador, praia de Itaúna, Itacoatiara, Leblon, São Conrado, Barra da Tijuca, Reserva, Recreio, Macumba, Prainha, Grumari, Ilha Grande, Cabo Frio, Búzios e Arraial do Cabo. Lembre-se ao reservar hotel Rio de Janeiro que nem todas essas praias ficam na capital carioca, então defina seu destino e reserve hotel de acordo com os picos que escolher. O site da FalaTurista oferece diversas opções de hotéis na região. Vale a pena conferir.

Em Florianópolis, a praia da Joaquina é parada obrigatória para todos os surfistas, principalmente os profissionais. Além das ondas magníficas, a praia é lindíssima e muito bem frequentada. No seu hotel em Florianópolis peça um guia das melhores praias. Os nativos costumam dar como dicas para iniciantes as praias da Barra da Lagoa, Ingleses e Armação.

Boa e Velha Joaca. foto: guiaquatroestacoes.com.br
Para quem já é expert, a praia Brava é uma boa pedida, assim como Ingleses e Santinho, considerada esta última a melhor praia para surf no norte da ilha. No sul da ilha existem várias outras opções interessantes, como Campeche, Morro das Pedras e Matadeiro. Aí já está uma boa localização para saber que hotel Florianópolis dá pra reservar se o passeio for só pelo surfe.

Também procure hoteis em Fortaleza para não deixar de fora um dos melhores destinos para a prática de surfe no país, já que a cidade conta com um litoral bastante recortado e com diversos píers. Dicas de praia para a prática do esporte em Fortaleza são o píer da Ponte Metálica, a praia de Iracema, dos Diários, Meireles, Titanzinho e praia do Futuro.


SNI voando no Ceará. foto: olhares.aeiou.pt

Para o pessoal que curte o vento, o Wind e Kite Surf são muito praticados na região, com facilidade para encontrar um bom equipamento para alugar e ventos constantes praticamente o ano todo.

Escolha seu destino e boas ondas!    

sábado, 3 de dezembro de 2011

PRIME SUNSET - FINAL - FLORENCE VENCE

No automobilismo existem algumas corridas, ou grandes prêmios, especiais. São corridas tradicionais e vencer uma dessas significa muito mais do que o Premio em dinheiro, o troféu ou o momento de glória, vencer ali é entrar para a história do esporte.
As principais são GP de Mônaco, GP de Indianápolis e 24 Horas de Le Mans (G. Hill é o único a conseguir vencer as três), mas as 24 Horas de Daytona, 12 Horas de Spa, Suzuka e Nurburgring também tem seu prestigio em alta.

Florence vence em casa. foto: asp/cestari

No surf, temos as mesmas tradições e certos eventos são realmente especiais. Particularmente acho que o Pipemasters, o World Cup em Sunset e o Bells Easter Classic são a Tríplice Coroa sagrada do surf.
Vencer um evento desses é entrar para a história do Surf.

Deixar Sunset fora do circuito principal da ASP é uma coisa que nunca entendi direito. O Hawaii é o templo sagrado do esporte e merecia sediar mais que uma etapa do WT por ano.

O World Cup deste ano foi presenteado com dois swells com tamanho e proporcionou um show incrível para as centenas de pessoas que acompanhavam tudo ao vivo e para os milhares de internautas espalhados pelo globo.




No primeiro texto desta cobertura sobre o campeonato em Sunset, mencionei um video do site do evento, com imagens do passado e atuais, que mostravam que a abordagem dos atletas na onda de Sunset mudou pouco nos últimos 30 anos, que o volume da onda exigia um surf sem firulas, com o base lip imperando sobre o above de lip.

Realmente 90% das ondas surfadas foram assim, batidas e rasgadas ao invés de aéreos e suas variações. Nos 10% restantes vemos o que efetivamente foi mudando no decorrer dos anos nas competições em Sunset. As pranchas.




Lembro de uma coluna do Bocão, acho que foi em 92/93, em que ele descreve a experiência que teve como caddie de Teco Padaratz na bateria em que o catarinense garantiu o primeiro título mundial do WQS da história (seria bi em 99), e como pode surfar com ela depois da bateria. Não lembro o tamanho, mas era menor que o "normal" da época, mas tinha reações de uma merrequeira, com trocas de bordas rápidas e muito drive.




As pranchas hoje em dia estão menores ainda. O modelo mais usado no dia final deste World Cup foi a 6´10. Como resultado direto disso os caras de hoje estão fazendo tubos melhores do que antigamente. É um evolução e tanto numa onda tão dificil quanto Sunset. A mais dificil eu diria. A ponto do careca sanguinolento jamais ter conseguido uma vitória no lugar. Os tubos de Dusty, Ola e John mostram do que estou falando.

BRASILEIROS

O Brasil foi representado por Jessé Mendes e Raoni Monteiro no último dia do World Cup 2011.
Jessé caiu na primeira do dia, com o mar ainda acordando, o famoso morning sickness, o jovem paulista foi eliminado por Evan Valiere e Jordy Smith, deixando Jamie O para trás. Este último, inclusive, descolou o troféu vaca do campeonato neste heat ao praticar salto ornamental numa besta de 10 pés em cima da bancada do inside ball. O´Brien tinha uma boa onda no bolso, mas após esta vaca, ainda tomou uma série inteira na cabeça.




Raoni Monteiro defendia o título do campeonato e estava adorando as condições. Não é por acaso que em todas as vezes que Raoni apareceu na mídia em 2011 foi por ter se destacado em condições de mar em que poucos gostaria de surfar.
No campeonato mais assustador já realizado no Tahiti foi dele a primeira nota 10 do evento.
No campeonato mais assustador já realizado em Saquarema ele estava na final.
e quando o mar realmente subiu no Hawaii, novamente, Monteiro estava lá.

Começou fazendo uma dobradinha da O´Neill (que deixou de patrocinar este evento) com John Florence nas oitavas, eliminando Coleborn (quase se levanta no final) e Reynolds (voltou a competir como Dane).

Depois dominou amplamente as ações da terceira quarta de final, contra CJ, Gaskell e Centeio. Nesta bateria Raoni soube ler as mudanças do oceano. Na bateria anterior a dupla de Maui Ola Eleogram e Dusty Payne tinha dado um show de tubos, sempre na bancada do inside. Na bateria seguinte, os tubos já não abriam tanto e eram menos frequentes. Raoni buscou as maiores e na ausência de canudos procurou manobrar sempre no critico e com força. Já na primeira arrancou um 7,5 e ficou tranquilo para procurar outra boa, fechando a fatura com uma da série destruída com duas manobras fortes.




Na semi final, contra J. Florence, Gaskell e Ace, algo aconteceu já na primeira onda, quando um pequeno desiquilibrio custou toda uma sessão no inside e logo após, em sua melhor onda, o mesmo aconteceu na finalização. Erros como esses numa bateria deste nível são fatais.

De qualquer sorte esta sólida atuação de Raoni prova que a vitória do ano passado nada teve a ver com o tamanho das ondas, mas com a qualidade do atleta.

GRINGOS

John Florence é um fenômeno, compete nos eventos da Tríplice Coroa desde 13 anos, entuba como pouquíssimos e encara as ondas com um estilo que beira o descaso, mas sempre com objetividade e power.
Entrou por acaso no WT após a primeira rotação, graças a lesão de Yadin Nicoll, e desde que entrou tem arrancado boas notas e feito excelentes baterias.

Ter entrado ainda este ano pode ter ajudado John a não se tornar um Jamie O da vida. Que logo se cansou das merrecas wqesseanas e desistiu da busca a vaga no WT. Florence entrará em 2012 já sabendo uma coisa ou duas sobre o tour e se o pessoal da ASP continuar com a sorte de ondas durante eventos que teve em 2011, a chance de se coroar o quarto campeão mundial havaiano é grande. (terá que derrubar o careca sanguinolento, os queridinhos estabelecidos, Taj, Joel e Mick, além da Brazilian Storm, é claro).




Adam Melling tem que ser destacado. Não sou muito fã do surf dele. Parece um remendo de vários estilos e me parece um Bourez piorado, faz força demais para um surf de menos. Mas nesta tríplice coroa ele tem sido o cara. Duas finais consecutivas e sua vaga no WT 2012 garantida. Acho que ele sempre será um daqueles coadjuvantes. Que aproveite seus 15 minutos de fama.

Kekoa Bacalso e Olamana Oleogram foram dois dos caras mais atirados do evento. Ola chegou a semi, mas gastou tudo que tinha nas quartas, com um 10 unanime merecido. Kekoa nem estava no dia da final, mas perdeu no espirito go for it.

Por fim, vale destacar as atuações de backside de Nat Young, Ace Buchan, CJ Hobgood, Matt Wilko e Jessé Mendes.

Até o Pipemasters.

WORLD CUP 2011

1 - John Florence
2 - Michel Bourez
3 - Adam Melling
4 - Hank Gaskell
5 - Adrian Buchan
5 - Olamana Eleogram
7 - Raoni Monteiro
7 - Dusty Payne

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

PRIME SUNSET - 3º DIA - CHUTA QUE É MACUMBA

Um dia muito difícil para os surfistas brasileiros no Evento Prime disputado nas pesadas direitas de Sunset, HI. A direção da ondulação melhorou em relação a domingo, último dia grande, mas o vento não ajudava e o campeonato rolou com ondas balançadas de 10 a 12 pés.




O time brasileiro esta fazendo tudo certo nesta temporada havaiana, chegaram cedo, prepararam as pranchas, focaram nos eventos, etc, mas esta faltando sorte.
Após a notícia da lesão de Alejo Muniz, soube-se que Miguel Pupo se machucou e que Adriano saiu mancando de sua bateria em Sunset.

CHUTA QUE É MACUMBA! SAÍ URUCA!
Esses gringos tão batendo cabeça...abre o olho!

Brincadeiras a parte, além da falta de sorte em relação as lesões, com a honrosa exceção de Jessé Mendes, todos os atletas que ainda tinham chance de classificação para o WT 2012 foram eliminados. Jr. Faria, Willian Cardoso e Tiago Camarão, terão que continuar remando nas etapas do WStar e WPrime no primeiro semestre de 2012 para tentar uma classificação na rotação do meio do ano que vem.Se as regras de ranking permanecerem as mesmas, o seeding obtido com certeza ajudará.

BATERIAS

Jr. Faria foi o primeiro brazzo a cair na agua, na segunda do dia. Seu problema foi o mesmo de vários, escolha de ondas. Jr. tem um surf de linha muito bonito e merecia melhor sorte. Fez umas manobras, mas a onda não colaborava na sessão seguinte. Adam Melling esta mostrando uma vontade impressionante. Como a bruxa esta solta no North Shore, é bem capaz dele competir em Pipe e se bobearem, levantar a Tríplice Coroa. Não seria a primeira vez que uma zebra levanta o caneco. Rommelse e Durbidge já levaram.




Wiggolly Dantas e Jessé Mendes caíram na quarta bateria e enfrentaram Kerr e um dos Gudauskas. Wiggolly começou muito bem, passando as sessões balançadas com fluidez e segurança, enquanto Jessé despencava em vacas sinistras. Parecia que Guigui avançaria e a disputa pelo segunda vaga ficaria entre os gringos. Do meio para o final da bateria após outras vacas, Jessé começou a se levantar completando manobras incríveis no olho de Sunset. Ao mesmo tempo Kerr acha alguns tubos e vira tudo, deixando Guigui de fora do evento.
Jessé ganhou mais do que sua vaga para a próxima fase. A exemplo de Ricardinho dos Santos na primeira fase, Mendes ganhou respeito no North Shore. Vale mais que 1000 troféus...




Mineiro caiu na nona bateria da fase contra outro Gudauskas, gemeo do Pat que esta no WT, Tonino Benson, destaque da primeira fase e Dale Staples, que esta bem no ranking pro Jr. Todos queriam um pedaço do quinto melhor surfista do planeta e um dos poucos a desafiar o careca sanguinolento.
Adriano foi mal julgado nas suas duas ondas que contaram. Na primeira, um 3,5, foi incrivelmente underscore, ao menos 1,5 ponto. Tentaram usar a lei da compensação no 3,3 de uma manobra só, mas não foi o suficiente.
É justo falar que Mineiro cometeu um erro estratégico ao pegar essa onda 3,3. A remada de volta ao pico é longa, ainda mais quando a onda fecha e não houve tempo para achar outra.




Jadson André entrou logo em seguida contra dois havaianos casca grossa e Kolohe Andino. O rei dos 6 estrelas parecia meio assustado e escolhia as menores, ao contrário dos outros 3 que se jogavam no que aparecesse.
Desde o inicio André mostrou que é carne de pescoço, voltando de uma batida completamente no ar e surgindo do meio da espuma. Recebeu um 6,33, nota alta para o dia. Buscando fazer uma segunda nota para somar, o potiguar escolheu uma bomba de mais de 10 pés e se jogou lá de cima, proporcionando uma das vacas mais assustadoras do dia.
Jadson acabou não achando a onda que precisava e passando um pequeno sufoco na bancada do inside, mas é outro brazuca que vai ganhando respeito nas ilhas.




Willian Cardoso, encarou Damien Hobgood, Lincoln Taylor e Gabe Kling. Hobgood esbanjou conhecimento e classe para passar em primeiro, enquanto Taylor mostrou o mesmo go for it que o levou as finais do Prime de Saqua. Cardoso fez uma bateria muito parecida com a de Jr. Faria, até conseguia umas manobras, mas a onda não ajudava na sessão seguinte. De bom mesmo, só a derrota do Kling.




Camarão entrou na décima terceira e perdeu para Davo, recém casado e inspirado e Mitchel Coleborn, estrela dos filmes do Kai Neville que esta surfando muito de costas para a onda em Sunset. Thiago rabiscou bonito numa bomba, mas na hora do tubo no inside a onda fechou. Sorte é preciso. É justo falar que o brasileiro pecou na escolha de ondas. Glenn Hall demorou para escolher a boa, mas no finalzinho veio numa das mais perfeitas do dia. Era fácil imaginar Camarão destruindo aquela direita e passando para a próxima fase. Fica para a próxima.




Raoni Monteiro venceu a décima quarta bateria do dia, mesmo com os juizes tentado ajudar Sunny e Fred P. A primeira onda do brasileiro, nota 6, valia ao menos um 7,5 e o que foi a última dele? Cavou e bateu numa parede de 10 pés como se estivesse numa valinha de meio metro! Orgulho de Saqua continua defendendo seu título!




O líder do circuito brasileiro profissional, Tomas Hermes caiu na última do dia e tanto ele como os outros dois integrantes da bateria não tiveram qualquer chance. Dane Reynolds encarnou o anti-Slater e ninguém venceria ele ali. Ninguém! Hank Gaskell, local, usou da experiência para passar em segundo, sem muito esforço, já que Wilson, vice ano passado e Hermes não acharam nenhuma realmente boa durante a bateria.




O último dia do World Cup tem tudo para ser épico, como Sunset merece.
Apenas Raoni Monteiro e Jessé Mendes representam o Brasil no último dia, com este último ainda alimentando chances de ingressar no WT na rotação pós Pipe.
Jessé entra na primeira do dia, contra Jordy Smith, Evan Valiere e Jamie O´Brien.
Raoni entre na última da fase 4, contra Mitchel Coleborn, J Florence e Dane Reynolds.

o atual campeão do evento, Raoni Monteiro, mostrando como é que se faz. foto: http://vanstriplecrownofsurfing.com/vansworldcupofsurfing2011/photo_gallery/day_7_vwcs